O que o amor diz sobre nós?
- helenspaula
- 2 de fev.
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Ao falarmos de amor, entendemos que ele não se reduz ao campo conjugal. Ele atravessa a profissão, a família, os afetos cotidianos e aquilo com que nos identificamos. Freud mostra que o amor se estrutura a partir das identificações, forma primordial de ligação do sujeito com o outro, sustentando o vínculo (FREUD, 1921).
Lacan avança ao demonstrar que esse vínculo é atravessado também pela falta. O amor não nasce da completude, mas da impossibilidade de completá-la. Por isso, Lacan (1960/1961/1992, p.49) relata que “o amor é dar o que não se tem” ou seja, amar é oferecer ao outro aquilo que nos falta, reconhecendo a própria incompletude.
Quando as idealizações caem, o amor e as paixões podem nos trazer angústias, isso não significa necessariamente o seu fim. Muitas vezes, abre-se a possibilidade de uma busca menos imaginária e mais sustentada no desejo, orientada por aquilo que faz sentido na nossa vida. Amar é girar em torno da falta e tentar tocar suas bordas, não para eliminá-la, mas para fazer laço a partir dela. É justamente isso que mantém o desejo e a vida em movimento, pois é a partir daquilo que amamos e com o que nos identificamos que tentamos construir algum sentido para nossa subjetividade.
Diante disso, fica a pergunta de Lacan: “Che vuoi?” — o que você quer?
Quando as idealizações caem, essa pergunta nos atravessa e nos convida a repensar o que desejamos, para além das expectativas do outro e das promessas de completude feitas inconscientemente(LACAN, 1958–1959/2016, p. 43).
FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu (1921). In: Obras completas, v. 15. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 6: O desejo e sua interpretação (1958–1959). Rio de Janeiro: Zahar, 2016, p. 43.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 8: A transferência (1960–1961). Rio de Janeiro: Zahar, 1992, p. 49.


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